sexta-feira, 11 de março de 2011

Respeito...essa é a Palavra!...

Hoje vou tocar em um assunto apropriado a TODOS! Uma concientização necessária, mas muito pouco usada! É aquela velha história...'só sabe quem passa!'...então venho mostrar um pouquinho a vcs o que a Mari dona do amoroso blog Diário de uma mãe polvo(dá uma passadinha lá, vai entender um pouco mais), tem passado e outras tantas pessoas com limites físicos tem lutado para vencer. Compartilharei com vcs apenas um relato, entre tantos já vividos e peço que façam o mesmo...



"Tenho gritado por aqui, afinal o blog é a minha voz para o mundo- as dificuldades da vida de uma mãetorista de um cadeirante. Muitas pessoas se solidarizaram e me deram as mãos nessa luta. Mas tem um outro lado ainda mais difícil. Quando o próprio cadeirante é o condutor como é o caso da Camila. 

Por isso pedi para minha grande amiga nos contar um pouco da sua rotina como no Planalto Central que para minha surpresa, não é diferente do RJ. A cidade que deveria dar exemplo ao país demonstra uma falta de respeito lamentável. O resto, deixa que ela mesma conta.

Por Camila Góes.


"Se Brasília já é uma cidade difícil pra qualquer pessoa sem deficiência alguma se locomover sem carro, imaginem para quem tem qualquer tipo de deficiência. Depois de alguns anos morando aqui, ouvindo repetidamente as pessoas me perguntarem pelos mais diversos motivos "Por quê você não compra um carro?" uma pergunta me bateu diferente e, enfim, eu mesma comecei a me fazer essa pergunta. Trabalhando há quase um ano e gastando quase todo o dinheiro que eu recebia em táxi para ir e vir do trabalho, numa cidade em que o transporte público é quase inexistente, comecei a achar razoável a compra do carro.

Finalmente encontrei o carro dos meus sonhos, lindo e confortável. Comprei. Pensei "agora meus problemas estão resolvidos. Não dependo mais dos estúpidos motoristas de táxi da cidade com sua má vontade para me atenderem; não vou mofar horas esperando por eles e chegar atrasada praticamente sempre em quase todos os lugares (aqui eles sequer dão previsão de em quanto tempo chegam e agendar um táxi é o mesmo que nada) e, enfim, terei liberdade total para ir e vir a todos os lugares da cidade!!!" Triste engano. Tirando a parte de ter me livrado da cara feia dos motoristas, os atrasos se tornaram ainda maiores e por motivos, não sei se mais estúpidos ou tanto quanto, e a liberdade... nunca as barreiras e impossibilidades se fizeram tão presentes.

Logo que comprei o carro os colegas de trabalho foram super solidários, conversaram com o administrador do prédio à respeito da vaga de deficientes que fica bem em frente a entrada, pedindo que tentasse ter um cuidado maior em relação a ocupação desta. Este conversou com os guardadores de carro fazendo o mesmo pedido e, de carro em mãos, radiante pela conquista, comecei a ir e vir do trabalho motorizada.

Num mês em que Brasília se torna ainda mais vazia do que já é de costume, como num passe de mágica, nos primeiros dias, lá estava a vaga, vazia, aguardando por mim. Não demorou muito, menos de 2 semanas, para que um belo dia, ao retornar do almoço me deparasse com a vaga ocupada. Não havia ainda pensado na possibilidade disso acontecer, afinal, era tudo ainda muito novo para mim. Ao me deparar com a situação fiquei transtornada sem saber o que fazer. Paralisei e em questão de segundos uma fila gigantesca de carros se fez atrás de mim. Começaram a buzinar embora seja raro se ouvir buzina em Brasília (mas o Setor Bancário Norte é capaz de estressar qualquer um que entre alí de carro ao se deparar com retornos trancados por carros parados e filas duplas de ambos os lados). Rapidamente encostei meu carro na fila dupla de carros parados para que eu deixasse o fluxo andar enquanto organizava meus pensamentos em busca de alguma solução. Em menos de um minuto parada, Lei de Murphy funcionou, o carro que eu estava prendendo resolveu querer sair. Pânico e pensamentos agitados novamente.

Eu, que dirigia há menos de 2 semanas, precisava tirar meu carro daquele micro espaço, ao som de buzinas, com uma fila de carros passando ao meu lado. Enfim, consegui e quando vi, lá estava a solução do meu problema. Uma vaga vazia pra mim. Entrei sem nem pensar, claro. Ufa, enfim, o problema havia sido solucionado! Terrível engano. Não, não estava resolvido!!! Ao abrir a porta do carro me deparei com a realidade de que não posso estacionar em vaga alguma que não a de deficiente. Ao meu lado não cabia nada além dos dois pneus da minha cadeira. Como montar a cadeira e sair do carro?!

Mesmo depois da vida inteira como cadeirante e convivendo com vagas ocupadas, foi nesse momento em que pela primeira vez passei por isso sozinha, que percebi o quão estúpida é uma pessoa que pára numa vaga destinada a deficientes sem necessitar. Nunca me senti tão impotente. Fechei a porta do carro, subi os vidros, liguei o ar, o som bem alto e chorei. Simplesmente chorei. Era só o que eu podia fazer sozinha ali. Desejei não ser independente e jamais ter precisado passar por aquela situação. Enquanto isso, meu atraso na volta do almoço aumentava e o desespero também. Enfim, me sentindo completamente derrotada e humilhada telefonei pra uma colega de trabalho que me ajudou a resolver a questão. É ridículo e humilhante você não poder fazer coisas simples, não pela sua impossibilidade mas sim pela estupidez humana.

Bloqueei por muito tempo o ir e vir sozinha ao volante até que, com ajuda dos meus amigos, superei o medo da boçalidade alheia. Mais uma vez colegas interferiram por mim junto ao administrador do prédio e até mesmo aos guardadores de carro enquanto os amigos tentavam me tornar confiante das mais diversas maneiras. Todos foram muito acolhedores como sempre. O administrador com as melhores das intenções, disponibilizou cones para sinalizar ainda mais a vaga. Voltei a ir e vir sozinha curtindo dirigir, coisa que amo. E voltei a me deparar com a vaga ocupada.

Dos cinco dias na semana, ao menos três sou obrigada a lidar com a falta de educação da população. Tento sempre me lembrar que a incapacidade não é minha e sim, dos que não conseguem respeitar os direitos alheios mas, por vezes, ainda páro e as lágrimas escorrem.Os cones que deveriam ajudar se tornaram apenas um impecillho à mais porque eu como cadeirante não posso descer para retirá-los e os estúpidos aproveitadores simplesmente saem do carro, retiram os cones e param seus carros.

PS: Alguns taxistas eram sim muito prestativos e gentis, pena serem a minoria.

 Dedico esse texto a Mari que me pediu que o escrevesse e que passa por dificuldade semelhante constantemente. E à duas amigas, Thaís e Manú, que frequentemente me ajudam a superar esse transtorno."

Agradeço a quem puder compartilhar esse desabafo, qto mais pessoas pudermos conscientizar, melhor."



                                                                                                          Mari Hart


Abraço concientizador a todas. 

17 comentários:

Marcia postou o comentário de número:

O respeito deveria ser inerente a condição humana, não deveria ser necessario um desabafo destes.
Para quem tem "ëducação" é desnecessario, mas infelizmente ainda precisamos lidar com seres boçais e ignorantes (desculpe, nao acho outra definição) que só conseguem enxergar seu proprio umbigo. É revoltante!

Cintia Branco postou o comentário de número:

Paula,

Que coisa triste saber que tem pessoas sem a mínima idéia dos direitos de todos. Fico revoltada com isso, sempre cuido muito esse tipo de coisa e brigo para que a acessibilidade onde trabalho seja uma realidade, coisa difícil, já que a maioria acha que só devemos nos preocupar com isso quando tivermos uma real necessidade. Fico louca da vida com esse tipo de pensamento.
Passo por inúmeros problemas em decorrência do diabetes, imagina explicar para o chefe que você precisa parar aquela reunião super importante para comer, sob o risco de entrar em hipo, ninguém entende e acha que é frescura, quantas vezes já entrei em hipo e nem percebi, precisou os colegas perceberem e pedirem para pausar a reunião e eu nem conseguir comer direito de tanto que tremia, mas isso em nada sem compara com uma situação de total impossibilidade como essa.
Parabéns pelo post e pela conscientização mais que necessário, grandes beijos e ótimo final de semana

Adelaide postou o comentário de número:

Amiga, eu sempre faço muita gente passar vergonha quando estaciona em vaga errada. Mas sabe o que é pior, pai/mãe acompanhado dos filhos fazem e depois reclamam que não conseguem educar os filhos esquecem que os pequenos exemplos é que constroem o cidadão.
Já conheço e acompanho a Mari, tenho divulgado também por achar que uma das nossas "obrigações" é a luta por um mundo melhor onde TODOS tem direitos iguais.
muita Luz e Paz.
Abraço

Daniele postou o comentário de número:

Muito oportuno esse post, viu?

Não sou a pessoa mais perfeita do mundo, mas posso garantir que faço tudo para ser "correta" e andar com a minha cabeça erguida.

Sofro com a falta de educação do nosso povo, chego tremer de raiva igual cão raivoso. Essa gente se acha uns espertalhões, quando são uma cambada de "bundões".
Ô povinho subdesenvolvido, viu?!
(eu falei que sofria!)
O povo não respeita nada, lei nenhuma, joga toneladas de lixo no chão e depois vai pra televisão dizer que perdeu tudo porque a casa está embaixo d'água e o governo é que pague um aluguel social pra ele.
Não entendo. Sinceramente e não sei onde tanta desordem vai ter fim.

Essa semana, meu filho saiu com uma frase (dita num desenho do Cartoon) que me apovorou! Eu o mandei desligar a televisão para almoçar e ele me respondeu: "O mundo é meu, tudo aqui é meu!".

hahahahaha...filho de quem é, falar isso.

Valeu uma conversa séria e o corte do tal desenho. Já entendeu e agora diz: O mundo é nosso e de Deus.

Contei o episódio porque eu acho que é isso que o povo pensa: "o mundo é meu" e eu não preciso respeitar ninguém.

Uma pena que as pessoas não pensem no dia de amanhã, não imaginam que elas podem estar naquela condição. Lamentável a falta de respeito ao direito do outro.

D. Zely, minha professora de Educação Moral e Cívica ( por que acabaram mesmo com essa matéria, hein?????) dizia:

"O meu direito acaba quando começa o seu".

Amiga, muito baratinhos os recheios por aí! Chato é o valor dos correios...:(
Muito obrigada pela gentileza!
Se eu não encontrar por aqui, falo com você.
Beijinhos no seu coração e desculpas se falei demais.

Mari Hart postou o comentário de número:

Querida, MUITO, MUITO obrigada por compartilhar!

Eu sempre digo que não é só um dever meu de mãe e amiga de deficiente, mas sim de todas nós que somos mães e queremos um mundo melhor para nossos filhos! Tenho certeza que aos poucos, cada um fazendo a sua parte, vamos sim fazer um mundo melhor! Tenho certeza!

Um beijo enorme e tamo junto! =)

Silvia Mingardi postou o comentário de número:

Olá Paula... esse tipo de pessoas que aproveitam do espaço dos outros são uns imbecis... uma pena ter tantas pessoas incensíveis... temos que lutar por essa causa...
Tenha uma ótima semana...
Beijos!!!

Marcia postou o comentário de número:

obrigada pelas palavras de conforto...

Rejane postou o comentário de número:

Oi Paula!!!
E realmennte revoltante ver como tem pessoas ignorantes no mundo.... Sei bem do que esta falando pois ja convivi com problemas assim......... Temos que gritar mesmo nada muda se ficarmos caladas....
Parabens pelo post apoiadissimo.
Um bom fim de semana!
Re.

Rafaela Lima postou o comentário de número:

Nossa! Estou sem palavras, este mundinho está ficando cada dia mais complicado.

Beijos!

Brechó Recicle Online postou o comentário de número:

Ai amiga xará! É um horror mesmo! O problema é bem maior do que pensamos! O que podemos fazer é nunca parar nas vagas destinadas à eles, e não deixar que nenhum espertinho o faça tb!!

Parabéns pelo post lindinha! Vamos ver o que mais podemos fazer a respeito,né!?

Bjs e uma noite com muita alegria pra vc e sua familia! Se bem que carioa já é alegre por natureza,né!?...V é carioca??...Curióóósa...rs

Casa Decorada postou o comentário de número:

Paula querida, que saudades! Estive lendo o texto da Mari e sei bem o que é isso ...falo muito pouco da minha vida particular no blog , mas meu filho (enteado) mais velho é deficiente ...perdeu a perna direita aos 9 anos ao ser atropelado por uma ambulancia em SP....O MOTORISTA ESTAVA BEBADO E NAO TINHA CARTEIRA!
E isso que Mari sofre também sofremos em varios lugares desse Brasil ...é uma pena ..é lamentável....vivemos em um país que vc só é respeitado se for forte, bonito e rico!
Pronto falei!
Vou colocar lá no CASA o adesivo linkado a vc para que venham e leiam....bj

Willma postou o comentário de número:

Adorei seu blog e vou vir sempre aqui!
Aproveito a visita pra lhe fazer uma convite especial.
Venha fazer uma visita ao Espaço Senhorita e concorra a super prêmios.
sempresenhorita.blogspot.com
Não Perca!!!
Bjos.

Adriana Alencar postou o comentário de número:

Infelizmente, apesar dos progressos que o Brasil teve nestas décadas, não estamos preparados para dar aos deficientes o conforto que merecem.
Excelente texto!
Beijo
Adri

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ ANDRÉIA Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sant'Anna postou o comentário de número:

A cada dia que passa, ao invés das pessoas ficarem mais evoluidas espiritualmente.., elas estão ficando mais imbecis, ignorantes e incencíveis. Isso é um tipo de coisa que não precisava de campanha ou qualquer outra coisa.
Respeito!!! Respeito ao próximo, seja qual for sua condição.
Adorei a postagem!
Bjks

Fabiana Tardochi postou o comentário de número:

Oi Paulinha! Demorei mas cheguei. Não gosto de simplesmente passar pelos blogs amigos e deixar um recadinho sem ler realmente o que as amigas escrevem. Gosto de ler com calma , coisa que muita das meninas não faz e escrevem cada uma...
Bom, a situação é triste e complicada. Não se respeita nada.
Minha sogra é deficiente, eu muitas vezes dirijo o carro dela que tem placa de identifiação de deficiente, mas NUNCA, se sou eu quem dirijo deixo o carro em vaga de deficiente, e olha que eu poderia. Eu sempre a deixo na porta do local onde ela precisa ir e vou parar o carro em outro lugar. Quando ela termina, eu busco o carro novamente e levo até ela. Esse é o certo na minha concepção já que eu não tenho nenhuma limitação.
Só que ela uando está sozinha também passa pelo mesmo problema e pelas mesmas situações que a Camila descreveu, com a diferença de que ela não é cadeirante, mas anda com uma muleta de apoio, ou seja não pode percorrer grandes distâncias também. Ela pode cair e se arrebentar.
A Mari também passar por maus bocados.Imgino como deve ser revoltante. Vamos ver se pelo menos falando, gritando para o mundo através do blog as pessoas folgadas, sem caráter e muito mau educadas acordam para a vida e para a realidade.
Beijos e uma ótima semana para vc:)

Fernanda de Oliveira postou o comentário de número:

Muito bom o post e acho que é isso mesmo, se as pessoas não se conscientizam facilmente, então pq não usar os blogs pra gritar ao mundo sobre a falta de respeito e educação das pessoas!

Acho o cúmulo quando pessoas "normais" usam a vaga destinada a deficientes ou idosos e depois ainda reclamam se os filhos fazem a mesma coisa, sempre dizendo que não sabem onde erraram.

Entre outras coisas mais. Aff, ninguém merece né amiga!

Beijoca e linda semana ♥

http://claudiaaoextremo.blogspot.com/ postou o comentário de número:

OI Paulinhaaaa lindona
Saudade de vc
Sim!! eu li esse relato/desabafo da Mari menina me dá soco no estômago saber que as pessoas estão cada vez mais egoistas, sem o minimo de consciencia que se essas vagas existem é por que é especialmente reservada para pessoas que precisam ter acessibilidade para ir e vir, como podem estacionar e ficar lá parados como se não estivessem vendo a preferência???
É tão simples, é só se colocar no lugar do outro e se perguntar, E se fosse comigo???
Mas não ...,é mais fácil olha para o próprio umbigo...
Sou uma eterna otimista mas as vezes desanimo, aqui na rua de casa, na avenida próximo as calçadas são super estreitas, e principalmente aos sabados, todos estacionam sobre as calçadas!!!
Eu que venho do mercado ou feira com o carrinho de feira mau consigo ir pela calçada pq os carros não deixam, me arrisco no meio da rua com o carrinho e fico pensando e se fosse um portador de necessidades especiais?
Ou até mesmo uma mãe com o carrinho de bebê???
Será que só eu penso nisso? quem estaciona não pensa???
Ai fico revoltada...
Desculpa Paulinha mas é que esse egoísmo coletivo tem me irritado tanto...
No metrô, no onibus, ninguém mais cede o lugar nem para idosos, nem para mulheres grávidas...é assustador...
Beijo amiga

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